Cidade - 15/11/2013 15h11

Escola estadual do bairro Alvorada funciona sem sistema anti-incêndio
Unidade não conta com alvará do Corpo de Bombeiros desde sua fundação, há 18 anos

Escola estadual do bairro Alvorada funciona sem sistema anti-incêndio
Foto: Isabela Borghese/JP

A Escola Estadual Eduir Benedicto Scarpari, no bairro Alvorada, não possui sistema completo de combate a incêndios e, por isso, desde a sua fundação, há 18 anos, funciona sem AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). A situação foi denunciada ao Jornal de Piracicaba pelo Conselho de Pais da unidade escolar e confirmada pelo Dirigente Regional de Ensino de Piracicaba, Fábio Negreiros, que disse ser difícil saber o porquê a escola está sem AVCB, mas que tudo o que os bombeiros solicitarem será atendido. 

 

Os integrantes do conselho alegam que a instituição de ensino não tem saída de emergência e nem hidrante. Além disso, eles se preocupam com o teto da unidade, que tem placas de isopor, material altamente inflamável, e com a largura dos corredores do local, que medem 1,60 metro, o que seria insuficiente para a saída rápida dos estudantes em casos de emergência. Nos três turnos de aula, a unidade tem 1260 alunos, com idades entre 10 e 20 anos. “Tem cadeirantes na escola. Se eles estão no corredor, só cabe mais uma pessoa do lado. Se acontecer alguma coisa, não tem como escapar todo mundo. O ideal seria os corredores terem quatro metros”, falou Arcilene Euzébio, 67, que faz parte do conselho e tem uma neta de 14 anos matriculada no local. 

 

Outra circunstância que incomoda os conselheiros é a altura das janelas, que ficam a 1,20 metro do chão. “Elas estão muito baixas. Se alguém encostar e bater os cotovelos ou a cabeça, pode machucar”, comentou outra integrante do conselho, Paula Toledo, 30, mãe de uma aluna de 12 anos.

 

No mês passado, o Conselho de Pais enviou um abaixo-assinado com aproximadamente 500 assinaturas à Diretoria Regional de Ensino, à prefeitura e à FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) solicitando uma nova construção da escola. “No calor, temos problemas com desmaios, com paredes quentíssimas, dificultando a concentração, tornando o trabalho pedagógico muito desgastante e muitas vezes insatisfatório”, consta no documento.

 

“É muito quente a sala, bastante gente passa mal. Tem três ventiladores, mas só estão funcionando dois, porque a energia da escola não suporta deixar todos ligados”, disse uma estudante de 13 anos, do sétimo ano. Para que os alunos não fiquem sem aulas durante a possível reconstrução, Arcilene sugere a construção de salas provisórios no estacionamento da unidade.

 

OUTRO LADO — Negreiros, que assumiu a Diretoria Regional de Ensino em 2012, disse o processo de construção da escola era adequado na época. “O porquê ficou tanto tempo sem AVCB, é difícil dizer. Em 18 anos, nunca foi apontada essa falha de fiscalização, nem por nós da Diretoria e nem pelos bombeiros”, falou, acrescentando que a solicitação do documento foi enviada ao Corpo de Bombeiros em outubro.

Reportagem: Sabrina Franzol